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09 julho, 2013

Colesterol: o que ele tem a ver com infecções e com câncer



Sempre na mira dos médicos quando o assunto é o coração, agora a gordura se tornou alvo de pesquisas que a associam a outras doenças, como as infecciosas e o câncer





Um exame de sangue cujo resultado causa inveja nas rodas de conversa é aquele que aponta níveis baixos do chamado colesterol ruim, o LDL. Isso porque, na boca do povo, ele já se tornou sinônimo de complicação para o sistema cardiovascular. A partir de agora, quem se preocupa com as defesas do organismo terá um motivo a mais para se gabar de suas taxas equilibradas. Um estudo da Universidade de Edimburgo, na Escócia, sugere que reduzir a gordura em circulação auxilia a barrar infecções. Os cientistas confirmaram esse elo depois de simular uma contaminação por vírus em culturas celulares e acompanhar a reação da imunidade. 

"Observamos que, diante da invasão pelo micro-organismo, o sistema imune libera substâncias que, por sua vez, emitem uma ordem para que haja diminuição dos índices de LDL", conta, em entrevista a SAÚDE!, o médico geneticista Peter Ghazal, que conduziu o experimento. À primeira vista, essa informação pode soar como uma boa notícia. Afinal, prestes a iniciar um combate, as células imunológicas nos prestariam um serviço extra ao nocautear o colesterol ruim. Só que a história é bem outra. Os pesquisadores desconfiam que, ao mantermos o LDL sob rédeas curtas, as defesas não precisariam queimar essa gordura e, assim, ficariam mais disponíveis para enfrentar os micróbios baderneiros. A pergunta que não quer calar é: por que elas têm de se meter nesse imbróglio gorduroso? 

A bióloga Marília Seelaender, do Grupo de Pesquisas sobre o Metabolismo do Câncer da Universidade de São Paulo, esclarece a teoria com mais detalhes. "Ao ser desafiado, o sistema imunológico fabrica uma substância, o interferon. Ele, por sua vez, inibe a produção de enzimas responsáveis pela síntese de colesterol", esclarece. Ou seja, as fábricas dessa partícula entram em marcha lenta. De acordo com Marília, uma molécula formada durante esse processo, chamapor da mevalonato, seria importante para que alguns vírus, como o da dengue, consigam se multiplicar a contento. Em outras palavras, interromper esse ciclo no início privaria o inimigo do substrato de que necessita para se replicar. 

Com base nesse resultado, Peter Ghazal e sua equipe se animam com a hipótese de que as estatinas — as principais drogas utilizadas para controle do colesterol — possam ser uma alternativa ou um reforço aos medicamentos contra infecções no futuro. "As estatinas bloqueiam justamente a via do mevalonato", concorda Marília. "Mas investigamos, também, outras maneiras de interromper esse mecanismo", anuncia Ghazal. Na opinião do cardiologista Raul Dias dos Santos, diretor da Unidade de Lípides do Instituto do Coração, em São Paulo, toda a linha de pesquisa faz bastante sentido. "Há evidências de que pacientes tratados com estatinas apresentam menor risco de morrer diante de uma septicemia, infecção generalizada grave", conta.

Chega de malhar o colesterol. Agora é a vez de enaltecê-lo. Mas não sua faceta vilã, o LDL, e sim a do bem, o HDL. Ele acaba de ser aclamado como auxiliar na prevenção do tumor de cólon em um experimento liderado pelo National Institute for Public Health, na Holanda. Para estabelecer essa relação, os cientistas analisaram os resultados de exames de sangue de 1 238 pessoas saudáveis e do mesmo número de indivíduos com câncer colorretal. Em cerca de 700 deles, a doença se localizava no intestino. O objetivo era comparar o perfil de colesterol dos dois grupos e detectar correlações entre os níveis da gordura e a incidência do problema. Os hábitos dos participantes também foram avaliados. 

O resultado foi surpreendente. "Verificamos uma ação protetora do HDL e de uma de suas proteínas, a apo A, contra as lesões localizadas no cólon", revela o epidemiologista Bas Bueno-de- Mesquita. A cada 16,6 miligramas por decilitro de aumento no HDL e 32 na apo A, houve uma redução de 22 e 18% na probabilidade de sofrer do mal, respectivamente. "Uma das explicações para esse efeito seria a ação anti-inflamatória desses lipídeos", especula o pesquisador. Ele se refere à neutralização de substâncias pró-inf lamatórias relacionadas ao câncer, como a interleucina-6, que agridem as células, induzindo-as a uma multiplicação desordenada. Há outra hipótese igualmente plausível. "O HDL carrega uma enzima, a paraoxonase, que diminui a oxidação do LDL", esclarece Raul Santos. E o processo oxidativo natural do organismo influi na gênese de tumores. 

"Não podemos descartar, ainda, a possibilidade de o HDL e a apo A serem meros marcadores de maus hábitos, que, estes sim, propiciariam a enfermidade", lembra o oncologista Samuel Aguiar Junior, do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo. Marília Seelaender entende esse ponto de vista: "Níveis muito baixos do colesterol bom podem ser reflexo de fatores como sedentarismo, obesidade, alto consumo de gordura saturada e tabagismo. Aí, cabe ao médico alertar sobre a necessidade de reverter esse quadro". 

Por fim, há mais uma situação em que o colesterol faria soar o sinal de alarme para o câncer. "Quedas muito bruscas nas taxas da gordura levantam suspeitas", diz Santos. Isso porque o tumor a utilizaria para compor suas membranas celulares. Mas, na opinião de Marília, é pouco provável que isso aconteça: "Algumas células tumorais sintetizam o próprio colesterol de que necessitam. Dificilmente precisariam retirar esse substrato do organismo". Pelo sim, pelo não, cabe a você, leitor, preservar o intestino da ameaça e dar uma força ao HDL, maneirando na gordura saturada e suando a camisa 
Justiça à gordura 


Apesar do status de vilão, o colesterol tem papel primordial em diversas funções orgânicas 

Se está em excesso, ele é uma ameaça para as artérias; por outro lado, sua escassez faz uma falta imensa para o corpo todo. Isso porque o colesterol participa da formação de substâncias importantíssimas para o organismo. "Esse lipídeo é matéria-prima para a fabricação de hormônios, como o estrogênio, a testosterona e o cortisol", exemplifica Marília Seelaender. "Além disso, integra as membranas de todas as nossas células e atua na comunicação entre elas", completa. Por fim, a partícula também é precursora de vitaminas, como a D (veja a reportagem na página 24). 
Cérebro engordurado? 



LDL nas alturas contribuiria para o desenvolvimento do Alzheimer 

Não à toa, estudos já apontavam, na década de 1990, uma associação entre doenças cardiovasculares e o risco de apresentar Alzheimer. O culpado seria o colesterol ruim, o LDL, conforme sugerem pesquisas atuais. "Uma proteína conhecida como precursora de amiloide é produzida no sistema nervoso e quebrada por enzimas, liberando fragmentos inócuos", explica o neurologista Paulo Caramelli, da Universidade Federal de Minas Gerais. "Acontece que o LDL induziria um metabolismo alterado dessa mesma proteína, favorecendo a formação das chamadas placas beta-amiloides, que estão por trás do Alzheimer", conclui.


Especial : Colesterol

Colesterol: de gota a Alzheimer



Em excesso, ele não é inimigo apenas do coração. De panes nos neurônios a dolorosas inflamações no dedão do pé, achados recentes desvendam o que a substância pode causar pelo corpo.




Embora esteja na boca do povo há décadas, com frequência duas grandes confusões são feitas a seu respeito. A primeira é chamá-lo de gordura, quando, na verdade, trata-se de um álcool complexo - detalhe químico mais complexo ainda. A segunda é que seu potencial nocivo se restringe ao sistema cardiovascular. "O colesterol circula por boa parte do organismo para formar membranas celulares, ácido biliar e hormônios", relata Eder Quintão, endocrinologista do Laboratório de Lípides da Universidade de São Paulo. Esse acesso quase irrestrito, apesar de essencial para inúmeras atividades, traz seus inconvenientes. Isso porque dá a possibilidade de ele, quando nas alturas, acarretar estragos em diversas regiões.


Após analisarem dados epidemiológicos que relacionam altos índices da partícula a demências, por exemplo, cientistas da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, decidiram averiguar o que estaria por trás desse fenômeno. Valendo-se de equipamentos modernos, eles descobriram que o protagonista da reportagem está intimamente ligado ao surgimento das famigeradas proteínas beta-amiloides. "Essas moléculas danificam células nervosas, promovendo a doença de Alzheimer", ensina o bioquímico Charles Sanders, coordenador da pesquisa. 

"O trabalho americano nos ajuda a compreender o motivo pelo qual observamos um acúmulo de placas beta-amiloides ao colocarmos neurônios em um meio de cultura repleto de colesterol", enfatiza o neurologista Paulo Caramelli, da Universidade Federal de Minas Gerais. "Mas ele não explica por que existe uma associação, principalmente em pacientes acima dos 75 anos, entre a doença de Alzheimer e problemas vasculares", contrapõe. 

Há, claro, quem acredite que esse vínculo seja resultado da idade avançada. Em outras palavras, indivíduos nessa faixa etária tenderiam a sofrer mais com ambos os transtornos simplesmente pelo fato de o corpo estar envelhecendo. Essa, entretanto, não é a única hipótese levantada pelos especialistas. "Taxas elevadas de colesterol provocam inflamações nos vasos, que, ao longo dos anos, também dificultam a passagem de sangue", ressalta Angelina Zanesco, fisiologista do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista, em Rio Claro. Se a artéria comprometida é uma que chega à massa cinzenta, as células nervosas deixam de ser abastecidas adequadamente com o líquido vermelho. Resultado: elas param de funcionar direito por falta de nutrientes, o que contribuiria para o extermínio das memórias. 

Outro mal que às vezes implica queima de arquivos mentais atende pelo nome de derrame isquêmico - o bloqueio por completo do fluxo sanguíneo acaba matando os neurônios, digamos, de fome. Em várias situações, a obstrução decorre do excesso de colesterol circulante. 

Quando o assunto é diabete, invariavelmente se fala em glicose. Mas adivinhe que outra molécula está envolvida com a enfermidade. "O excesso de colesterol no pâncreas atrapalha a fabricação de insulina, responsável por colocar o açúcar para dentro das células", revela Francisco Helfenstein Fonseca, cardiologista e coordenador do Setor de Lípides, Aterosclerose e Biologia Vascular da Universidade Federal de São Paulo. E, com doses a menos desse hormônio na circulação, a glicemia sobe que nem foguete. Por outro lado, quando você tem bastante HDL, aquela espécie de faxineiro da circulação, a probabilidade de desenvolver ou agravar o quadro diminui. 

Nem as articulações estão a salvo da avalanche de colesterol. "Ele facilita o aparecimento de crises de gota", exemplifica Ricardo Fuller, chefe do Ambulatório de Reumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo. Esse distúrbio, caracterizado por inchaço e dores intensas nas juntas - principalmente no dedão do pé -, depende de processos inflamatórios para dar as caras. Ao que tudo indica, taxas expressivas da substância em questão auxiliam a alastrar esse incêndio. 

A artrite reumatoide, outro mal que ataca as juntas, propiciando incômodos, perda de movimento e deformações, também pode ser agravada por você já sabe quem. "Aliás, uma pesquisa deste ano verificou falhas na função do HDL de quem possui a doença", reforça Fuller. Mesmo assim, ainda faltam evidências sólidas de que o tratamento para controlar o colesterol beneficie pessoas com desordens reumatológicas. 

No futuro, a ciência deve oferecer uma resposta definitiva para essa dúvida. Outra pergunta é se a partícula abordada aqui seria o estopim para cânceres. "Segundo alguns estudos, o uso de estatinas, medicamentos que reduzem a concentração dessa molécula no sangue, previne tumores como o de próstata, mama e intestino", afirma Samuel Aguiar Júnior, cirurgião oncologista e diretor do Núcleo de Tumores Colorretais do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo. "Só que esses trabalhos são poucos e ainda controversos", ressalva. 

Um vestígio extra desse possível elo é o de que levantamentos populacionais definem sujeitos com pouco LDL e muito HDL como mais protegidos contra o câncer. "Resta saber se o dado encontrado é consequência do colesterol ou se hábitos saudáveis, que regulam seus níveis ao mesmo tempo que trazem outras melhorias para o organismo, são os verdadeiros responsáveis pelos números encontrados", pondera Aguiar Júnior. 

O que doma o colesterol 

Quando descobrimos que grande parte dessa substância é manufaturada no fígado independentemente da alimentação, muita gente supõe que quase não adianta tomar cuidado com o que ingerimos. "Essa impressão não poderia estar mais equivocada", garante Raul von der Heyde, nutricionista da Universidade Federal do Paraná. "Por exemplo: o consumo de gorduras saturadas, presentes no óleo de dendê, em carnes e no leite, aumenta significativamente os índices de colesterol, sobretudo de LDL, na corrente sanguínea", argumenta o especialista. 

Se as gorduras saturadas culminam em mais LDL, as poli-insaturadas das nozes e do salmão fazem exatamente o contrário. "Mas elas, se ingeridas além da conta, infelizmente reduzem os níveis de HDL", lamenta Raul von der Heyde. Por isso, nada de abusar - o ideal é que elas componham não mais do que 10% do total de calorias do dia. 

Também aposte nas fibras solúveis. Junto com a água, elas formam um gel no intestino que impede o colesterol de ser absorvido. Para abastecer seus estoques do nutriente, invista em frutas como maçã, laranja e pera ou lance mão da aveia. Só não se esqueça de beber H2O. Caso contrário, os benefícios se esvaecem. 

Por mais que certos estudos vinculem o azeite de oliva e o abacate, fontes de gordura monoinsaturada, com mais HDL no sangue, não existe uma verdadeira comprovação de que isso ocorre. Se o objetivo é incrementar a concentração dessa aliada da saúde, a melhor estratégia atende pela alcunha de atividade física. "Os exercícios não apenas aumentam o número das moléculas como melhoram a qualidade delas", acrescenta Maria Teresa Zanella, presidente do Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. 

Para obter a benesse, são necessários esforço e um pouco de paciência. "A intensidade precisa ser de moderada a alta. Após três meses de prática esportiva constante, as mudanças começam a surgir", informa a fisiologista Angelina Zanesco. Com o colesterol sob rédeas curtas, as memórias de uma vida livre de diabete, câncer e dores nas articulações têm tudo para ficar na sua cabeça.

Especial Colesterol - LDL

O que é LDL?


Entenda o que significa a sigla, também conhecida como "colesterol ruim"


Abreviação das iniciais de low density lipoprotein, ou proteína de baixa densidade em bom português, é o famoso vilão. Essa lipoproteína tem na sua composição 45% de puro colesterol. No seu trajeto pelo organismo, pode deixar parte dele no caminho. É assim que essa molécula vai se depositando na parede das artérias.
Para que o colesterol possa circular incólume pelo organismo e cumprir suas funções, ele precisa pegar uma carona nas chamadas lipoproteínas - as mais conhecidas são o HDL e o LDL. Enquanto o HDL recebe todos os louros do bom condutor, o LDL, ou lipoproteína de baixa densidade, parece mais um motorista desastrado. Durante a viagem pelos tecidos do corpo, ele simplesmente deixa escapar parte do colesterol que carrega no meio do caminho. Livre na circulação, a substância é candidata a acumular-se nas paredes dos vasos, transformando-se em placas de gordura que dificultam a passagem do sangue e podem levar a problemas cardiovasculares. Então, quanto menor a taxa de LDL, menor o risco desse tipo de encrenca. 

No final de 2007, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) aumentou o rigor no controle dessa substância. De 100 miligramas por decilitro no sangue, que até então era considerado o limite saudável, a recomendação agora é que seus níveis agora sejam inferiores a 70. Isso vale principalmente para a turma mais propensa a doenças do coração, como os hipertensos e os diabéticos. "Essa mudança se baseia em estudos com indivíduos que, acompanhados por um determinado período, conseguiram reduzir as taxas de LDL", explicou à SAÚDE! o clínico José Ernesto dos Santos, da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, no interior paulista. Ou seja, são números factíveis.

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Especial Colesterol - HDL



Nunca o HDL, que representa a fração boa do colesterol, esteve tão em alta na cardiologia. Na corrida para conter os problemas cardiovasculares, a ciência anuncia remédios capazes de catapultar as taxas da partícula. Em meio à promessa, mapeamos as atitudes que prestam esse serviço ao coração.





O HERÓI DO CORAÇÃO 

Lipoproteína de alta densidade: eis o nome completo da HDL, partícula que ganhou essa sigla pela sua denominação em inglês. Ela é produzida pelo fígado e abriga 30% do colesterol que ronda o organismo. Exímia faxineira, recolhe o excedente dessa molécula na circulação — a gordura é carregada corpo adentro pela LDL e, se as sobras não são removidas pelo serviço de limpeza, se tornam ingredientes para as placas que entopem os vasos. Os médicos consideram ótimos níveis de HDL acima de 60 mg/dl, o que confere maior proteção cardiovascular. Aos homens, a recomendação é que o índice não seja inferior a 40 mg/dl e, às mulheres, o mínimo deve ser 45 mg/dl — naturalmente, o sexo feminino apresenta uma concentração mais alta de HDL, mas ela tende a cair após a menopausa.



REMÉDIO PRÓ-HDL 

Entenda como funciona a droga em estudo que promete alavancar essa fração benéfica do colesterol

1. FAXINEIRA NATA 
A lipoproteína de alta densidade, mais conhecida como HDL, é montada no fígado e tem a função de retirar o excedente de colesterol que se deposita nos vasos sanguíneos. As sobras dessa gordura são conduzidas de volta ao fígado.

2. ROUBO DE CARGA 
Na circulação, uma enzima, identificada pela sigla CETP, é capaz de roubar a carga de colesterol colhida pela HDL e transferi-la para a VLDL e a LDL, partículas que levam a gordura até os vasos. O trabalho da HDL é anulado e, desprovida do conteúdo gorduroso, a partícula deixa de ser detectável na corrente sanguínea.

3. A POLÍCIA CHEGOU! 
Aqui entra em ação o anacetrapibe, que inibe a enzima CETP, impedindo que ela se apodere do colesterol recolhido pela HDL. Dessa forma, a lipoproteína pode ser visualizada no sangue e, o mais importante, consegue levar o excesso de colesterol para o fígado, que irá eliminá-lo.


HDL EM ALTA, ALZHEIMER EM BAIXA 

Esse elo acaba de ser descortinado em uma pesquisa da Universidade Colúmbia, nos Estados Unidos. Depois de acompanhar durante seis meses e meio 1130 idosos, os estudiosos encontraram 101 prováveis casos da doença, que arruína a memória e outras funções cognitivas. Ao analisar os níveis de HDL dos participantes, perceberam que taxas acima de 55 mg/dl estavam relacionadas a um risco 60% menor de desenvolver o Alzheimer quando comparadas a índices menores que 39 mg/dl. Resta saber agora quais os mecanismos por trás da proteção cerebral. Uma hipótese é que níveis elevados de HDL liberem o fluxo sanguíneo para a massa cinzenta, que fi caria menos suscetível a males neurodegenerativos.

Especial Colesterol - O que são as estatinas?

Lançadas há cerca de duas décadas, elas agem na raiz do colesterol, inibindo justamente a produção de uma enzima responsável por sua síntese

Cinquenta milhões. Esse é o espantoso contingente de pessoas que ingerem todos os dias comprimidos de estatina. Tiro certeiro: reduzem em 30% as taxas de LDL. "As estatinas evoluíram muito nos últimos anos. Hoje, além de baixar o teor de gordura no sangue, podem melhorar a elasticidade das artérias e diminuir processos inflamatórios pelo corpo", revelou à SAÚDE o cardiologista Carlos Alberto Pastore, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. 

Ok, já está provado que elas aliviam a porção maléfica do colesterol e são uma verdadeira bênção para pessoas que já sofreram infarto ou derrame. Mas, por ora, os outros benefícios propagados não passam de promessas. O que ainda não se sabe ao certo é se as estatinas diminuem a mortalidade entre pessoas que têm, além do colesterol alto, mais fatores de risco. Alguns especialistas acham que sim. O cardiologista e nutrólogo Daniel Magnoni, do Hospital do Coração, em São Paulo, é um deles. Na sua opinião, se um sujeito é obeso, fumante, sedentário e diabético, o colesterol pode ser a gota d’água para detonar um infarto. Nesse caso, esse tipo de droga seria uma ótima medida preventiva. 

Certeza só se tem de que as estatinas não são uma panacéia, pílulas mágicas que protegem a todos com a mesma eficiência. Confiar nelas 100% e continuar comendo mal, fumando e sem fazer exercícios é um erro. 




O lado bom e ruim das estatinas


Baixar significativamente os níveis de LDL tornou-se possível graças à chegada das estatinas ao mercado farmacêutico, há pouco menos de 20 anos. Mas existe um risco que vem com o uso
Hoje, as estatinas são a classe de remédios mais vendida no planeta. Mas essas mesmas substâncias acabaram levando a uma outra discussão: seu uso aumentaria o perigo de um câncer. De fato, um estudo publicado no periódico americano Journal of the American College of Cardiology apontou um leve aumento da probabilidade de tumores em usuários de estatinas. Outras pesquisas, no entanto, sugerem o inverso. Por enquanto, a maioria dos cardiologistas defende que o benefício desse tipo de medicação na prevenção de doenças cardiovasculares justifica o risco. 

Outros efeitos colaterais assombram quem precisa da droga. Os mais comuns são dores musculares, cãibras e fraqueza, já que ela atrapalha a atividade de uma proteína envolvida na contração dos músculos. Em casos extremos, as fibras musculares são destruídas. O medicamento também poderia provocar a obstrução das vias biliares, além de males hepáticos em quem abusa do álcool. O perigo cresce uanto maior for a dosagem. Diante desses inconvenientes, a pergunta é: quem pode abrir mão das estatinas? O cardiologista Protásio Lemos da Luz, do Instituto do Coração, deu a resposta à SAÚDE: as pessoas com o colesterol um pouco aumentado e que nunca sofreram problemas cardiovasculares não devem tomar o remédio. Não faz sentido: ele é caro e o tratamento é de longo prazo.

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Mastectomia preventiva: Cirurgia







Cirurgia que retira as glândulas mamárias reduz risco de câncer de mama em até 90%

O que é a mastectomia preventiva?


A mastectomia preventiva mamária é uma cirurgia de prevenção ao câncer de mama. A cirurgia de mastectomia preventiva consiste na retirada da região interna da mama - ou seja, da glândula mamária juntamente com os ductos mamários - que são os locais onde pode acontecer a formação de um tumor. Com a retirada do interior da mama, os riscos de câncer reduzem em até 90%. As chances do câncer ainda existem porque 10% do tecido mamário ainda é preservado para a nutrir a pele, auréola e mamilo. Na cirurgia sempre serão removidas as duas mamas, daí a denominação de dupla mastectomia preventiva. O cancro da mama é o tipo de câncer que mais acomete as mulheres em todo o mundo, sendo 1,38 milhões de novos casos e 458 mil mortes pela doença por ano, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, o Ministério da Saúde estima 52.680 casos novos em um ano, com um risco estimado de 52 casos a cada 100 mil mulheres.

Indicações

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Mastologia, cerca de uma a cada 12 mulheres terão um tumor nas mamas até os 90 anos de idade. No entanto, a mastectomia preventiva é indicada para mulheres que possuem um alto risco para essa doença. Os critérios para identificar o risco em uma mulher são:
    • História familiar forte: dois ou mais parentes de primeiro grau com câncer de mama
    • um parente de primeiro grau e dois ou mais parentes de segundo ou terceiro grau com a doença
    • dois parentes de primeiro grau com câncer de mama, sendo que um teve a doença antes de 45 anos
    • um parente de primeiro grau com câncer de mama bilateral
    • um parente de primeiro grau com câncer de mama e um ou mais parentes com câncer de ovário
    • um parente de segundo ou terceiro grau com câncer de mama e dois ou mais com câncer de ovário
    • três ou mais parentes de segundo ou terceiro grau com câncer de mama
    • e dois parentes de segundo ou terceiro grau com câncer de mama e um ou mais com câncer de ovário.

    Pré-requisitos para fazer a cirurgia

    Não há pré-requisitos obrigatórios para a mastectomia preventiva, basta ter alto risco para o câncer de mama. No entanto, os médicos recomendam a mastectomia preventiva apenas para mulheres que já tem prole constituída - ou seja, já teve todos os filhos que gostaria. Isso porque, após a cirurgia a mulher não terá mais condições de amamentar, pois serão removidas as glândulas mamárias. Caso algum parente de primeiro grau tenha sofrido da doença, o ideal é que a mastectomia seja feita antes da paciente atingir a idade em que seu parente teve o câncer de mama. Um exemplo: se a mãe ou irmã da paciente teve um câncer de mama aos 40 anos, o indicado é a paciente fazer uma mastectomia antes de chegar a essa idade, garantindo a prevenção.

    Quem não pode fazer

    Pacientes que têm maior risco de pós-operatório, como fumantes, mulheres com obesidade e dificuldades e comorbidades, como diabetes e hipertensão, tem ressalvas para a realização da mastectomia preventiva, podendo portanto ser contraindicada em alguns casos. Lembrando que só um médico será capaz de fazer essa restrição. 

    Qual médico realiza a cirurgia?

    A cirurgia de mastectomia preventiva é feita por um mastologista. No entanto, é indicada uma equipe multidisciplinar, que inclui cirurgião plástico, para fazer a reconstrução mamária, e um psicólogo para acompanhar todo o processo de retirada das mamas, da consulta médica até a pós-cirurgia, para evitar possíveis sequelas emocionais à paciente.

    Como é realizada a mastectomia preventiva

    Corte é feito na base da mama, por onde é retirada a glândula mamária
    Para fazer a mastectomia, o médico mastologista faz um corte em toda a base da mama, e por meio dessa incisão retira toda a glândula mamária, preservando apenas o músculo peitoral e a pele, juntamente com auréola e mamilos. Caso a mulher opte por fazer uma reconstrução mamária, o cirurgião plástico irá, no mesmo procedimento, fazer o implante de silicone ou colocar bolsas expansoras, preenchidas com soro fisiológico, que apenas preparam as mamas para receber a prótese de silicone 
    em um procedimento futuro. Em casos de mamas muito grandes ou com sobras de pele, é feita uma cirurgia conjunta para a retirada de tecido, a fim de que a prótese de silicone não fique muito grande e o mais natural possível, evitando deformações.
    Para reduzir os riscos de necrose, a paciente pode se submeter a uma autonomização do mamilo, que consiste em fazer uma pequena incisão na parte inferior do mamilo ou em toda a sua borda, parar separá-lo da glândula mamária e estimular a irrigação sanguínea na área.

    Tipos de anestesia

    É ministrada uma anestesia geral, para garantir que a paciente fique desacordada durante toda a cirurgia.

    Tempo do procedimento

    O tempo que durará uma mastectomia preventiva depende do tamanho das mamas, se será feita a reconstrução mamária e do andamento da cirurgia. O médico precisa se assegurar de que as duas mamas ficarão com a mesma aparência, e isso pode demandar mais ou menos tempo, dependendo do caso. Uma mastectomia preventiva pode durar duas horas, como pode levar de seis a oito horas sem complicações - tudo depende das condições da paciente e das variantes citadas.

    Tempo de internação

    A paciente de mastectomia preventiva pode ficar de quatro a sete dias no hospital, conforme a intensidade do procedimento cirúrgico.

    Exames necessários para realizar a cirurgia


     Todos os exames pré-operatórios, incluindo cardiológicos e eletrocardiograma.                      

    Cuidados antes do procedimento

    A paciente precisa fazer um jejum de sete horas obrigatório para realizar a mastectomia preventiva. Isso evita a falta de controle anestésico, que pode causar aspiração e vômitos durante a cirurgia. 

    Possíveis complicações/ riscos

    As complicações que podem ocorrer são inerentes a qualquer procedimento cirúrgico, como infecção, hemorragias, inflamação e rompimento de sutura. Caso ocorra, o tratamento é o mesmo de qualquer outra ferida. A cirurgia pode causar sequelas emocionais por conta do trauma de ter a mama retirada, pois, mesmo com a reconstrução, o sentimento de perda e queda da autoestima deve ser trabalhado. Riscos mais específicos envolvem a necrose da mama e auréola e deformação da prótese de silicone.
    Há também a chance da paciente não ficar contente com o resultado da mastectomia preventiva. Em alguns casos, pode ser que a mama não fique exatamente igual ao que era, com mudanças no tamanho ou formato ? principalmente nos casos em que as mamas eram muito grandes ou flácidas, sendo necessária a cirurgia de redução e retirada da pele. Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, cerca de 30% das mulheres que fazem o procedimento não ficam contentes com o resultado no que diz respeito à aparência das mamas.

    Tratamentos pós-cirúrgicos

    A mulher que fez a mastectomia preventiva precisa continuar fazendo exames de tomografia, ultrassonografias e ressonâncias magnéticas juntamente com seu médico, porque ainda há risco de a paciente ter um câncer de mama. As pacientes também devem realizar o autoexame mensalmente, além de fazer o exame de toque com um médico especializado (ginecologistas e mastologistas) anualmente em seus exames ginecológicos de rotina.

    Como é a recuperação do paciente

    O pós-operatório da mastectomia é bem dolorido e incômodo. A limitação de movimentos é grande e depende de repouso para que tudo dê certo. Além disso, há o desconforto nos casos em que as pacientes não ficam felizes com a reconstrução.

    Cuidados após a cirurgia

    Após a mastectomia preventiva, é indicado um período de repouso de sete a quinze dias. As mamas devem ser examinados mensalmente pelo médico, e qualquer alteração na temperatura ou na coloração da pele devem ser comunicados imediatamente. Os curativos da ferida operatória devem ser trocados diariamente e a área higienizada. O uso de anticoncepcionais ou produtos de beleza à base de hormônios só devem ser usados com autorização médica.

    Custo da cirurgia

    Alguns planos de saúde brasileiros cobrem, mediante comprovação do histórico familiar e da probabilidade da presença da mutação. O Sistema Único de Saúde (SUS) não cobre os custos da mastectomia preventiva.

    Regulamentação

    A mastectomia preventiva é regulamentada e reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

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